Eu vou votar... na esplanada.

Diz que amanhã há eleições. Como já não escrevo neste blog há meses, parece-me uma boa oportunidade para mandar bocas e "manter a bola em jogo". Em princípio não vou votar. Não porque não acredite que a voz do povo não deva ser ouvida, deve, mas porque me recuso a participar nesta palhaçada de democracia cujos actores são praticamente os mesmos desde a revolução de 25 de Abril de '74. Do século passado. E os que não são, querem ser. E porque também me recuso a fazer o mesmo papel que o meu concidadão vai fazer daqui por uns 6 meses: "estes gajos são todos uma malandragem". Mas insiste em lá ir meter o papelinho. É o mesmo que dizer que o café do snack-bar aqui da esquina dá diarreia e insistir, diária e religiosamente, em começar o dia por beber lá essa bem-dita bebida energética.

Mas não é só por isso: eu não me sinto representado. Por ninguém. No barómetro eleitoral português que por aí anda, fiquei para lá de todos os partidos, com uma taxa de compatibilidade a rondar os 60%, um valor demasiado baixo. Aconselho a que olhe em vez desse, para o world's smallest political quiz. Vá lá, nem 10 segundos deve demorar a preenchê-lo, se for uma pessoa convicta das suas razões. O meu resultado, libertarian, que segundo o website significa:

LIBERTARIANS support maximum liberty in both personal and economic matters. They advocate a much smaller government; one that is limited to protecting individuals from coercion and violence. Libertarians tend to embrace individual responsibility, oppose government bureaucracy and taxes, promote private charity, tolerate diverse lifestyles, support the free market, and defend civil liberties.

Interessante... Como é que se chega a este resultado? Continue a ler porque vou tentar racionalizar, mas não justificá-las perante si, as minhas opções:

  1. Government should not censor speech, press, media or Internet.

    Concordo, claro. O governo, a existir, não deve censurar nenhum tipo de expressão individual. Note-se, no entanto, que isto não significa que seja obrigado a ouvir e levar em consideração tudo o que é dito. Point in case: eu cá adorei quando 200.000 professores saíram à rua e tanto o PM como a ME se estiveram marimbando o ruído dos sindicatos. O lado menos positivo disto é que esses meninos (os manifestantes), quando vão para a rua, têm a terrível tendência para entupir o trânsito em Lisboa. Escutem, deixem-me dar-vos uma dica: porque é que não se vão manifestar para uma planície alentejana qualquer? Podem fazê-lo em grande número na mesma, quem sabe se não ainda maior, e não incomodam mais ninguém.

  2. Military service should be voluntary. There should be no draft.

    Concordo, claro. Ninguém deve ser obrigado a ir morrer pelas ideologias e visões dos outros. 'nuff said!

  3. There should be no laws regarding sex for consenting adults.

    Se é consentido, é consentido. Quer pagar? Pague. Quer usar um chicote, cueca de cabedal e bota dos fusos? Use. Desde que a outra parte diga "quero" a sociedade não deve poder impor a sua moral, que não raras vezes é apenas a moral de quem legisla, às relações entre adultos. Lembre-se, a imoralidade está na sua cabeça.

  4. Repeal laws prohibiting adult possession and use of drugs.

    A nicotina é uma droga? Sim, é. A cafeína é uma droga? Sim, é. Que Deus as abençoe e quem as produz e também quem mas disponibiliza. Se não beber café logo pela manhã dói-me a cabeça portanto sou um "agarrado", estou dependente de um café para funcionar. Um adulto tem de poder tomar as suas próprias decisões (e arcar com as consequências). Se quer usar drogas pesadas, que use e abuse. O problema é dele, tal como o dinheiro que gasta nelas é dele. Quando não é dele, quando é roubado, aí temos outro problema que tem pouco a ver com posse e uso de drogas.

  5. There should be no National ID card.

    Agreed, claro. Diz que tem funcionado muito bem no Reino Unido, onde até o passe dos transportes serve como elemento identificador, porque é preciso apresentar outra prova de identificação como o cartão multibanco, que só é entregue se se mostrar a certidão de nascimento ou o passaporte. A ter de existir alguma coisa deste género, façam o favor de unificar todos os sistemas de identificação. Cartão de Cidadão ftw!1

  6. End "corporate welfare." No government handouts to business.

    Seja qual for o negócio. Se correu mal das duas uma, ou foi mal gerido ou não tem razão de ser, ie. falta de mercado. Acreditem que sei do que falo. Seja como for, um negócio tem de sobreviver com o mercado que tem e não às custas do estado. A não ser que o estado seja um cliente.

  7. End government barriers to international free trade.

    Aqui está um tema que me é muito querido. Eu não diria apenas que não deviam existir barreiras ao mercado livre internacional, diria que não deviam existir barreiras internacionais, ponto. Antes de sermos Portugueses, Franceses, etc. somos cidadãos do mundo. As such, não deviam haver barreiras a que eu me mude para a Tailândia para montar um negócio de prostituição, para Silicon Valley para montar um negócio de tecnologia, para a África do Sul para abrir uma pizzaria ou para Portugal (se fosse do Leste da Europa) para construir coisas. Diz que a ausência de fronteiras no Novo Mundo funcionou bem até por volta do séc. XVI.

  8. Let people control their own retirement; privatize Social Security.

    Como diz alguém e muito bem, a Segurança Social é um esquema de Ponzi. Pelo que entendo, é um esquema financeiro ilegal. Conseguem soletrar: dois pesos, duas medidas? Mais, a SS devia ser opt-in e concorrer em termos de oferta (ie. mercado) com os privados. Querem o meu dinheiro? Ofereçam-me melhores condições.

  9. Replace government welfare with private charity.

    O nosso Governo tem uma receita de 35 mil milhões de Euros relativa a impostos. O nosso Governo gasta 28 mil milhões de Euros com toda a Segurança Social. 7 mil milhões de Euros nos bolsos dos Portugueses fazem toda a diferença, portanto mais fariam 35 mil milhões. Quem tem dinheiro faz caridade, quem não tem não faz.

  10. Cut taxes and government spending by 50% or more.

    Onde é que fui buscar aqueles números? Aqui (obrigado pelo link João). O Estado gasta 14 mil milhões de Euros com pessoal. Are you friggin' kidding me??? 14 mil milhões? Mas esperem, a receita são 40.000MM€ (incluindo outras que não fiscais), a despesa são 46.000MM€. Já dá para perceber qual é o problema?

Se, tal como a mim, também lhe faz uma certa "comichão" toda esta situação em que estamos metidos, não se admire mas sinceramente eu acho que a culpa é mais sua que minha, a minha mensagem é mais forte que a sua. Se concorda com alguns destes pontos, não tem de concordar comigo note-se, então faça uma visita a'O meu governo que já está na altura das coisas mudarem apesar de não ser a tempo destas eleições.

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