Vou chamar a ASAE

Por cortesia para com a Jonas, vou escrever isto em português.

Ontem

Em conversa com um amigo sobre o tema forte do dia - lei anti-tabagismo - brincámos com uma comparação entre a ASAE e a PIDE. Vá vá, é coisa de ânimo leve por isso não se exaltem. Passo a explicar. Como julgo que devem saber existem agora algumas formas de "pedir" a alguém para apagar o cigarro:

  1. fazer apelo de boa vontade, relembrando a lei que entrou agora em vigor;
  2. pedir a um empregado ou ao dono do estabelecimento que o faça;
  3. entrar em conflito e alertar as autoridades (p.ex. ASAE) que se irão encarregar de multar tanto a alma prevaricadora como o dono do estabelecimento

Como dizia eu, brincámos, entre golos numa pint de Guinness, que outrora seriam intervalados com baforadas num cigarrito (ou charuto no caso do Pimenta, mas isso é ele que é capitalista eu cá só fumo mata-ratos - a.k.a. Kentucky - ;-) ), que a ASAE veria assim criada, em semelhança com a PIDE, a sua rede de bufos.

A beleza dos transportes públicos

Dizia hoje o VD, após encontro de 3º grau com um Gato, que a melhor forma de eles arranjarem material era, sem sombra de dúvida, misturarem-se com a plebe. E de facto é verdade: a melhor forma de arranjar material - tanto para escrita deste post como para outras divagações da mente no campo profissional - tem sido andar de transportes públicos, pelo que se observa. E foi desta forma que se cruzou a brincadeira anterior com a realidade. Estava eu navegando pelo Tejo a caminho de casa, meio zombie a tentar perceber como raio programas como o Preço Certo têm lugar na televisão, quando o neurónio em funcionamento decide processar a conversa, que se desenrola nos bancos em frente entre duas amigas, sobre a polémica lei. Parafraseando uma das senhoras:

Então ela resolveu acender o cigarro perto da janela e isso não me agradou. Pedi-lhe para ir mesmo lá para fora e respondeu-me que não ia porque estava a chover intensamente. Não fui de modos e disse-lhe: ou apaga o cigarro ou vou chamar a ASAE. Não gosto nada dela e foi bem-feito. (troca de high-five e risos típicos de miúdas de 19 anos)

Pois é meus amigos, assim se confirmam teorias de, erm, "bêbedos". Não só a ASAE não tem mãos a medir entre manobras de relações públicas^W^Wapreensões em feiras e fechos de tascas como agora também tem de atender às denúncias de milhares de bufos, ofendidos com o fumo passivo, e acorrer a todo e qualquer pedido de socorro. Se calhar até vai fazer bem, porque desta forma as acções da ASAE deixarão de ser notícia pela frequência das mesmas.

Novamente, não coloco em causa a legitimidade de tal sentimento, para mais quando o ofensor tem o dever de respeitar os outros, já para não falar a lei. Mas não é definitivamente assim que se fazem as coisas. Acautelem-se aqueles que têm inimigos porque ao mínimo deslize a brincadeira pode sair cara, disfarçada de defesa de direitos.

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